
TEM BRASILEIRO
4 de fevereiro de 2021PANDEMIA
Eu trabalhava como garçom num restaurante antes da pandemia. Foi o alastramento da Covid-19 no Brasil que me deixou desempregado. A minha alternativa para não ficar sem ocupação naquele período foi voltar a desempenhar a função de segurança num mercado perto da minha casa. Eu já havia trabalhado daquela maneira alguns anos antes.
No meu retorno àquela atividade, tive que usar máscara e termômetro para medir a temperatura das pessoas. Como se tratava de um novo protocolo de segurança, vira e mexe acontecia alguma situação inusitada na porta do estabelecimento:
— Isso é uma arma? — perguntou uma senhora ao ver o termômetro na minha mão.
— Se o presidente da República não usa máscara, por que eu tenho que usar uma para entrar nesse mercado? — indagou um adolescente.
Um jovem casal apareceu vestindo máscaras que tinham estampas de órgãos genitais. Eu tirei a temperatura deles e mandei entrar. Já tinha passado por aquela idade e sabia que ignorar aquele tipo de comportamento era a melhor coisa a se fazer.
Aquele foi um período difícil para o país. Porém, é preciso sempre lembrar do negacionismo e da omissão das autoridades que fizeram o Brasil sofrer com prescrição de remédios ineficazes, com o atraso na compra de vacinas, com fake news, com a imensa quantidade de mortos, entre outras coisas.
2020


