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10 de março de 2021
A HISTÓRIA DO CHINELO
21 de maio de 2021TANINOS
Era aniversário da minha namorada e eu queria levá-la a um bom restaurante. Eu liguei para um amigo e ele me deu uma dica:
— Leva ela ao Larica’s, Pompa. É um bom lugar.
Era cedo e o Larica’s estava vazio. Sentamos numa mesa que eu havia reservado e o garçom apareceu:
— Boa noite. Aqui está o cardápio e a carta de vinhos.
— Obrigado, respondemos.
Escolhemos rapidamente uma massa e pedimos uma indicação de vinho ao garçom:
— Recomendo os alentejanos, ele disse.
Minha namorada interveio:
— Não precisa dessa história de vinhozinho, Pompa. Eu tomo qualquer negócio. Depois a conta acaba ficando cara.
— Acalme-se, princesa. Você bem que merece tomar um alenteijado desses. Hoje é seu aniversário.
— Não é alenteijado, senhor. É alentejano, disse o garçom. E aproveito para acrescentar que o alentejano tem os taninos acentuados.
— Caninos? Perguntei.
— Taninos, senhor. Dá para notar que o máximo que o casal fez na vida foi tomar suco de uva de caixinha — completou o garçom.
Diante da gracinha do atendente, minha namorada sugeriu que fôssemos embora. Nós saímos e ela me levou para um restaurante chamado Brisa do Beck. O Beck estava no local e disse que tinha acabado de acender a brasa. Esperamos um pouco e logo fomos atendidos. Seda pura.
2020
BOOM!
Brasília, sexta-feira, fim de expediente, calor e secura insuportáveis. Eu peguei meu carro no estacionamento da empresa e deixei os vidros abertos para dissipar a temperatura do interior do automóvel. Eu não possuía ar-condicionado. Chegando à rua, eu tive que ter paciência com o anda e para do trânsito, além do asfalto quente, que aumentava ainda mais a sensação térmica.
A avenida era larga, mas parecia não comportar todos os carros. Existiam muitos retornos e semáforos, o que dificultava ainda mais a fluidez do trânsito. De repente, eu ouvi um bate-estaca vindo do carro de trás: Boom! Boom! Boom! Era um som automotivo altíssimo que fez a lataria do meu veículo chacoalhar. Eu ainda iria ouvir aquele estrondo por mais alguns instantes até o trânsito andar e eu me afastar daquele automóvel.
Um pouco mais adiante, eu liguei o som do meu carro e sintonizei em uma rádio que tocava rock. O locutor anunciou Riders on the Storm, Cavaleiros na Tempestade, da banda The Doors. Na introdução da música, a canção reproduziu um barulho de tempestade e chuva que me transportou para um cenário bem diferente daquele que eu estava vivendo. Por alguns instantes, a música me fez lembrar da chuva que não caía há meses em Brasília.
Porém, minha tempestade imaginária encerrou-se logo. O veículo estrondoso havia encostado atrás de mim novamente e o bate-estaca estava ainda mais alto: Boom! Boom! Boom! Naquele momento, eu olhei pelo retrovisor e notei um adolescente com uma das mãos no volante e a outra no celular. E desatento como ele estava, acabou batendo na traseira do meu carro: Boom!
Citação:
Riders On The Storm, The Doors. Letras. Disponível em: https://www.letras.mus.br/the-doors/11477/significado.html. Acesso em: 12 de jul. 2025.
2020


