
LIBRIANO DE CARTÓRIO
2 de setembro de 2026POMPA - TERAPEUTA
Fui psicólogo por muitos anos. Durante aquele tempo, escutei dezenas de histórias sobre traição conjugal. Aliás, não gosto desse termo “traição”. Parece dramático demais. É bom para colocar numa letra de música sertaneja. Prefiro que se diga: “estou tendo um caso com fulano ou beltrana”. Também acho aceitável dizer: “pular a cerca” ou o “muro”. São termos debochados, mas ainda assim melhores do que “traição”.
Puladas de cerca masculinas são todas iguais: os homens costumam dizer que se interessam única e exclusivamente pelo corpo das mulheres e que sentem um grande e incontrolável desejo.
Por outro lado, lembro quando começaram a aparecer no consultório casos de mulheres infiéis. Até aquele momento, apenas homens confessavam suas aventuras.
Eu começava perguntando a elas se o marido se tornara frio na cama, mas elas respondiam que não. Questionava se a preferência era por alguém com o corpo mais bonito, mas elas alegavam que o cônjuge era sarado. Indagava se a troca fora por alguém mais rico, mas alegavam que o marido tinha um bom poder aquisitivo. Aquilo me intrigou, e a resposta não tardou a chegar: confessavam que o amante se preocupava com elas e até mesmo com a mãe delas. Era visível o nível de atenção.
Depois de ouvir aquelas confissões, passei a perguntar todos os dias para à minha mulher a respeito da sua rotina. Sem falhar uma única vez.
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