
O TOPETE DO ELVIS
21 de maio de 2021
CONSENTIMENTO
31 de março de 2026CAIXINHAS DE NATAL
O fim do ano foi chegando e com ele os pedidos de doações. Naquele período, as chuvas castigavam alguns estados do Brasil e havia milhares de necessitados. Fiz as doações no próprio trabalho, pois existiam várias caixas de coleta nas portarias da empresa.
Quando cheguei à seção, me pediram para colaborar com uma vaquinha para o menor-estagiário. Ele havia completado 18 anos e tinha que se desligar do programa. Uma outra servente, quando ficou sabendo do agrado ao adolescente, também pediu que contribuíssemos com ela, e eu consenti.
Era véspera de Natal, e havia recebido meu décimo terceiro. Enquanto trabalhava, pensava em ir até a Livraria Cultura no término do expediente para gastar um pouco da grana. Ainda, naquele mesmo dia, colaborei com mais uma caixinha. Daquela vez, foram os carregadores de material que haviam pedido as doações.
A tarde estava quase no final, e eu ficara encarregado de fechar a seção. Enquanto enrolava na internet, imaginava um livro de Martha Medeiros me esperando na livraria. De repente, entrou uma senhora dizendo:
— Jesus te ama! Colabore com a caixinha da Irmã.
Pensei comigo: nesse ritmo, eu é que vou ter que fazer uma caixinha para mim. Mesmo assim eu disse:
— Espere um pouco. Deixe ver aqui no meu bolso.
Olhei na carteira e havia uma velha nota de R$ 1,00 e outra de R$ 5,00. Estiquei a de R$ 1,00 e falei:
— Bom Natal, Irmã.
A mulher me olhou com ar aborrecido e disse:
— É mais fácil um camelo passar por um buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus.
Nunca mais colaborei com aquelas malditas caixinhas.
2010


