O Novo Homem - Pompa - Crônicas Debochadas

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O Novo Homem

CONTOS

Há cerca de um mês, eu fui repreendido por uma colega de trabalho ao tentar elogiá-la chamando ela de filezinho:

-Você é um filezinho, Monique. Sabia disso?
-Filezinho? Foi assim que você me chamou, Pompa?
-Foi assim mesmo.
-Eu tenho certeza que você pode dizer algo mais criativo do que isso, Pompa.
-Como assim?
-É que chamar uma mulher de filezinho é uma cantada ridícula. E ainda por cima você pode ser processado por assédio ao dizer uma gracinha dessas para alguém.
-Mas que exagero, Monique. Chamar você de filezinho é o mesmo que dizer que você é linda. Você não gosta de ser elogiada?
-Se você quiser elogiar as mulheres, comece falando do cabelo, da roupa ou do comportamento delas. Só assim você obterá sucesso com as mulheres.
-Poxa, eu não sabia que vocês estavam assim tão exigentes na hora de receber um simples elogio.
-É que os homens precisam ser orientados de vez em quando, Pompa.

Eu fui embora daquela conversa um pouco preocupado. Até aquele momento, eu jamais havia imaginado que as minhas cantadas pudessem ser consideradas inapropriadas ou ofensivas. Por via das dúvidas, eu resolvi me atualizar.
Nas semanas seguintes, eu aproveitei para fazer uma pesquisa na internet a respeito do universo feminino. Foram dias e noites visitando blogs e sites especializados em cabelos, roupas, perfumes, cosméticos e até gírias do universo das mulheres. Em pouco tempo, eu já sabia o que era um cabelo Chanel, uma unha à francesinha ou uma roupa jardineira. Um novo Pompa surgia no Planalto Central. E nessa mesma época, a banda mineira Skank veio tocar em Brasília. Eu resolvi comparecer ao show como uma maneira de testar aqueles novos conhecimentos adquiridos.

No show do Skank

Quando eu cheguei ao local do show, o Skank já estava tocando a música O Beijo e a Reza. Eu comprei uma cerveja e fui logo circulando pela plateia. Confiança era o meu nome naquele evento.
Porém, nem tudo aconteceu do jeito que eu havia imaginado. No momento em que eu me preparava para conversar com uma garota, eu levei o que parecia ser um beliscão na bunda. Eu ainda me disse que aquilo poderia ser um esbarrão ou um daqueles empurra-empurra típicos de plateias em shows de Rock, mas a segunda beliscada não deixou margem a dúvidas e eu tive que virar para trás para conferir o que estava acontecendo:
-Oi, rapaz. Desculpe-me pelas beliscadas, disse uma garota vestida num atraente Tomara Que Caia.
-Tudo bem, respondi meio sem graça.
-Eu dei as beliscadas por que você é alto e está me atrapalhando ver o show. Será que você pode chegar um pouco para o lado, por favor?
-Claro, menina. E como é o seu nome?
-Eu me chamo Bianca. E você?
-Eu sou o Pompa, Bianca. Muito prazer.
-O prazer é meu, Pompa. E trocamos dois beijinhos no rosto.
Naquele momento, eu pensei em dizer para a Bianca que segundo os ensinamentos da minha amiga Monique, ela poderia ser processada por dar dois beliscões na bunda de um homem que ela sequer conhecia. Porém, depois de todo esforço e conhecimento adquiridos, eu preferi dizer outra coisa:
-Esse Ganesh tatuado no seu ombro é lindo, Bianca.
Sorrimos.


Pompa/2018





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